Dica de leitura: O furo na parede

Desafiando a crença comum de que barreiras lingüísticas, tecnológicas e socioeconômicas precisam ser superadas antes do aprendizado em si, e não em meio ao processo, Sugata Mitra apresenta uma inovadora proposta pedagógica para crianças.

Mitra, professor de Tecnologia Educacional da Escola de Educação, Comunicação e Ciências da Linguagem da Universidade de Newcastle (Reino Unido), trabalhou em uma empresa na Índia, em 1999, onde a parede fazia divisão com uma favela.

Ele teve, então, a idéia de fazer um buraco na parede, colocando um computador e um mouse para ver, por meio de câmeras, o que as pessoas fariam ao observarem isso.

Mitra descobriu que as crianças e adolescentes conseguiam aprender a navegar no computador e acessar a Internet em cerca de 8 minutos. Além disso, as crianças que ficam atrás daquela que está mexendo com o mouse também aprendiam e ajudavam. Porém, as demais pessoas, que permaneciam mais atrás, faziam intervenções erradas e também não aprendiam.

A experiência foi feita em cidades distantes do centro, com pessoas que não possuíam conhecimentos de Inglês nem recursos para estudar. Num raio de 300 km, demonstrou-se que, quanto mais afastado dos grandes centros, mais baixa era a qualidade do ensino.

A pesquisa constatou, basicamente, que:

- Colocando um computador em determinada comunidade por 3 meses, é possível que cerca de 300 crianças aprendam a operá-lo, num sistema em que todas se organizam para ajudar umas às outras.

- Nesse tempo, as crianças são capazes de aprender as funções básicas do Windows, navegar na rede, pintar, baixar músicas, conversar via chat e e-mail, além de assistir a vídeos.

- Além disso, elas acabam por aprender em torno de 200 palavras em Inglês.

Os questionamentos a respeito dessa pesquisa envolvem algumas dúvidas, tais como até que ponto a tecnologia altera a aquisição de valores no grupo de crianças. Foi possível observar que a educação em lugares distantes, sem recursos, bem como em locais mais pobres, como favelas, afeta a qualidade com que esse ensino será transmitido.

Assim, seria ideal que a educação tecnológica fosse introduzida primeiro nos locais mais distantes e pobres, que não possuem recursos.

O grande lema da pesquisa é:

“Valores são adquiridos. Doutrinas e dogmas são impostos.”

Dessa, forma, Sugatra Mitra defende que o aprendizado é um sistema auto-organizável. Enquanto a tecnologia para alunos de alto poder aquisitivo melhora a performance em 5% dos estudos, em lugares pobres e distantes sem recursos, essa influência pode chegar a mais de 30%.

A educação tecnológica e pedagógica, que é digital, automática e tolerante, tem tendência ao crescimento e é auto-organizável, podendo ser usada para diminuir diferenças dentro do ensino de baixa qualidade, reduzir a violência e propor novos valores ao público-alvo.

Assim, Sugata Mitra vai contra a tese de que somente as elites podem ou têm capacidade de praticar um aprendizado de ponta.

O livro, cujo titulo original em Inglês é “The Hole in the Wall”, está disponível na Livraria Cultura e você pode comprá-lo clicando aqui.

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